quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Quarto dos pais...

Quando se é criança nossos medos são curados com um simples abraço, com o fugir no meio da noite do seu quarto para o quarto dos pais, se escondendo por de baixo das cobertas, e ali todo o choro, lágrima, medos, e fantasmas não lhe alcançam, ali você está protegido. E você pensa que os fantasmas se foram. Mas e quando eles voltam, mesmo depois de adulto, neste momento seus pais mudam de nome, para mim passaram a se chamar Fluoxetina, Haldol, e alguns nomes similares, já não era o quarto dos pais que me trazia a paz, eu só a encontrava nas cinco gotas do Haldol, e em um comprimido de Fluoxetina na manhã seguinte, essa foi a minha paz por um bom tempo. E por mais que eu chorasse, por mais que eu gritasse, minha mãe não me ouviria, meu pai não me ouviria, ninguém, eu estava ali, trancado no quarto escuro, sem janela, sem as chaves, sem saída, e quando eu saio deste quarto escuro e penso ter encontrado a liberdade, percebo mais uma ilusão, pois agora eu estava preso em um quarto de vidro, onde eu tinha a visão de todas as pessoas, mas elas não me viam, e eu não podia tocá-las, eu gritava, batia no vidro, mas elas passavam despercebidas, como se eu não estivesse ali.

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